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domingo, 20 de maio de 2012

Crise é sinal de falta de percepção!


Crise é sinal de falta de percepção 

O pensamento começa com o sentimento
e se desenvolve a partir da necessidade
de adaptar nossos atos à realidade de nossa situação.
O que leva à sabedoria,
é a apreciação da relação do homem
com o universo do qual faz parte.
A essência da sabedoria,
como o insigne Sócrates assinalou,
É conhecer a si mesmo.
A pessoa que não se conhece
não pensará sobre si mesma
e nem pensará criativamente.
Alexander Lowen em Prazer, uma abordagem criativa da vida.


A grande maioria das pessoas que vem por conta própria em busca de um tratamento psicológico tem a certeza de que está passando por algum tipo de crise.
Mas que tipo der crise poderia ser esta?

Na história e na crescente formatação da consciência humana, podemos notar que o indivíduo permanece incessantemente entrando e saindo de espaços fechados, todos configurados em meio a diversas leis e sistemas. Se a pessoa não está dentro de um contexto familiar, está dentro de um contexto de trabalho ou em alguma outra situação sócio-cultural que o requisite num estado padronizado de manifestação que interage e modifica a sua biografia pessoal. É deste modo que podemos observar o movimento que gera o aprisionamento do nosso ser essencial em uma trama que, ao atar, cega.

O mais triste deste estado é que o cegar vale tanto para uma visão mais acurada sobre a realidade externa, como também para uma visão interior. A crise, portanto, acontece quando o indivíduo passa a se dar conta de que não se entende nos vários dos sentimentos e sensações aos quais é acometido. Sente uma ruptura no sentido da vida.

Muitos se queixam de terem dificuldades para dizer um ‘não’ ao mesmo tempo em que outros se observam extremamente impacientes e até violentos em determinadas situações. O que todos estão falando é que algo acontece dentro de si mesmo que resulta em algum tipo de manifestação não satisfatória e sem controle do próprio eu.
Outra queixa comum daqueles que se percebem em estados mais depressivos é a falta de ação, mas mesmo neste estado de aparente não ação, exacerba-se mais uma amostra de um tipo de manifestação também sem controle.
Notem que quando abordamos a palavra controle, não é referente ao controle que estamos acostumados a viver ou a ouvir por aí, estamos falando da presença do Eu lúcido em qualquer situação que estamos criando ou que podemos ir de encontro.

Sabemos que processos vivenciados dentro de uma psicoterapia auxiliam o individuo a entrar em contato com os aspectos que o estruturaram e que dentro deste processo, a pessoa tem a oportunidade de se observar e de se transformar.
Isto gera a possibilidade de um reconhecimento perceptivo a respeito de nós mesmos e dos possíveis motivos que nos levaram a distanciarmo-nos de quem realmente somos.
Acontece que, num processo gradativo, a nossa percepção pouco a pouco acaba sendo minada. Passamos a achar normal uma vida medíocre sem grandes entendimentos sobre nós mesmos. Achamos que é normal corrermos atrás de uma ganância desenfreada alimentada por uma competição atroz.

Pouco a pouco perdemos a referência de quem somos e o pior é que passamos a achar que a baixa qualidade de prazer que temos na vida é normal.
Não nos apropriamos de nós mesmos e como consequência deixamos de existir como consciências quânticas que somos, passando a funcionar num limiar muitíssimo baixo.
De repente, porém, este nosso Si Mesmo passa a desconfiar de que algo não vai bem ou que talvez poderia estar melhor. Este é o precioso momento onde o indivíduo tem a chance de se resgatar, de se ganhar de volta. Nesta hora percebemos que tudo poderia ser diferente do que está, começamos a entrar em contato com várias das nossas questões que são emergenciais para que nos atualizemos como existências completas. Percebemo-nos em crise.
O exagrama chinês de crise é composto de dois caracteres,
um representando o perigo e outro a oportunidade.

Notamos que falta a percepção do por que estamos funcionando de modo tão insatisfatório há tanto tempo...
É lógico que temos toda uma história por trás que construiu e que ainda constrói tanto os nossos pensamentos como a maneira de nos compreendermos como entidades dentro de toda esta trama. Isso inclui todas as nossas possibilidades de ação até o presente momento.

Fazendo um recorte histórico, podemos observar algo sobre parte desta construção de nós mesmos que se passou entre a Primeira e Segunda Guerra Mundial, o que houve no antes e no depois, só para dar um pequeno exemplo evidenciando como foram se construindo as nossas pseudoverdades:
- Desde o final da Segunda guerra mundial a sociedade vem evoluindo em ordenação de serviços, em ordenações psico-lógicas. Ordenações absolutamente necessárias para a tentativa de organizar-se no caos instalado nesta época de pós-guerra.

Em nome de deter vários tipos de enfermidades, resultado de doenças contagiosas, advindas de constelações familiares atípicas dentro dos padrões atuais, o processo de higienização enunciado no início do século passado, pôde ter um desenvolvimento mais efetivo. Deste modo, a estrutura familiar como a concebemos nos dias de hoje , teve um maior respaldo para se configurar no mundo como uma verdade importante e absoluta a ser vivida.

Indivíduos buscando segurança em diversos níveis passaram a compactuar com os vários tipos de crença oriundos desta matriz, acreditando ser a estrutura familiar, como a conhecemos, a forma ideal para se viver. Então, em nome de se deter as doenças transmissíveis e também de cuidar do tipo de patrimônio instaurado com o capitalismo, as famílias passaram a funcionar de modo monogâmico.
Notem que nada temos contra as estruturações familiares monogâmicas, assim como nada temos contra as estruturas poligâmicas, etc. etc., apenas estamos como observadores destas organizações, ressaltando também o desenvolvimento do psiquismo e da crença humana de acordo com os diversos tipos de sistemas vigentes.

A formatação, o viver dentro de determinados conceitos, leva ilusoriamente o indivíduo a sentir que pode controlar tudo... o que, como sabemos, é um paradoxo. Não dá para se controlar nada enquanto formos frutos inconscientes de um controle.
Temos, no trabalho, determinados padrões de controle também, isso vale para a área da ciência e assim por diante.

Ao final das contas todos vivem como se fossem funcionários de uma grande indústria, onde o pensamento global de uma arrecadação cada vez maior gera pensamentos locais de arrecadações individuais, tudo na inconsciência, longe do que é de fato a essência do Ser. Em outras palavras, cada um pensa em si, mas está acorrentado a um pensamento maior.

O próprio pensamento não advém das necessidades básicas e pessoais, mas sim da construção gerada pelo ‘corpo maior’, que dá a ilusão de uma base que sempre será como que faltante, gerando uma perpétua busca frenética do ter. Mas isso tudo também é uma construção que não tem nada a ver com a realidade interna do indivíduo.

Somos os atores de nós mesmos, por isso é que necessitamos saber com clareza sobre o script no qual estamos atuando e sendo a cada instante; podendo assim desenvolver as nossas habilidades rumando para nos tornarmos os senhores criadores das nossas realidades, com maior consciência, deixando de sermos consciências automatizas, ou seja, sem a percepção lúcida de nós mesmos.

Me perdoa por não te perdoar...




Acho que poucas coisas são tão difíceis de vencer em nossas vidas quanto o perdão. Falo aqui do perdão verdadeiro e não do conceito, pois não há quem não tenha alguém para perdoar. Parece que ao longo de nossas vidas situações vão acontecendo e nos colocando frente a pedir perdão ou perdoar.

Pensando no tema, percebi que perdão é uma atitude... Sim, perdão não é apenas um conceito, uma idéia, ou um sentimento, é uma atitude em que em alguns momentos somos os protagonistas e, em outros, atores coadjuvantes... Às vezes, estamos na condição de pedir perdão e em outras no impasse de perdoar ou não.

Amélia chegou até a mim sofrendo muito por conta de uma traição, e logo apareceu em vidas passadas situações de abandono, nas quais ela passou por terríveis privações, e sua auto-estima fora dilapidada porque não recebia apoio de ninguém à sua volta. Vivendo com os pais, não se sentia amada pela mãe que preferia a irmã; o tempo todo tentava ser boa para chamar a atenção.

Quando paramos para conversar, ela me contou que repetia a mesma atitude nesta existência tentando conquistar o amor. Professora universitária, havia deixado a família no nordeste. Apó o casamento, começou a ajudar os irmãos que hoje moravam em sua casa. Aparentemente, tudo corria bem... mas ela não se considerava feliz.
Confidenciou que se sentia desrespeitada, mas que não ousava comentar com o marido esses sentimentos porque ele não gostava muito de abrigar sua família em sua casa. Ela se sentia sozinha, pois os irmãos em vez de demonstrar afeto e gratidão a tratavam com indiferença. Falando isso, Amélia chorava sem parar.

Tentei acalmá-la perguntando sobre sua condição no trabalho, filhos e demais questões. Ela foi amarga na resposta revelando a sensação de estranheza em todas as esferas de sua vida e não entendia porque as coisas aconteciam assim com ela, já que estava sempre tentando fazer o melhor.

- “Amélia, você perdoa as pessoas por suas atitudes com você?”

- “O tempo todo. Entendo perfeitamente as atitudes dos meus irmãos, eles são uns egoístas, só pensam em si mesmos”, disse ela enfaticamente (afirmando seu perdão?).

- “Mas isso não é perdão, minha cara. Você pode entender as pessoas, mas isso não quer dizer que você perdoou, apenas que você está tentando entender as atitudes do mundo à sua volta, pois se você carrega mágoas em relação às atitudes das pessoas, você não perdoou”, disse, olhando para Amélia, sem saber exatamente como ela receberia minhas considerações.

- “Você está querendo dizer que não devo perdoar as pessoas?”

- “Quero dizer que você não deve mentir para si mesma ocultando o que você sente. Se você está com raiva das atitudes egoístas das pessoas, é preciso encarar seus sentimentos. Procure não esconder de você aquilo que passa no seu coração porque um dia essas fantasias podem se transformar em monstros”, respondi calmamente.

- “Sabe, Maria Silvia, acho que fui ensinada a ser boazinha... Minha mãe dizia que eu tinha que fazer tudo certo, e eu sempre tentei ser assim, mas parece que quanto mais ajudo as pessoas mais ingratidão recebo”.

- “Amélia, você não precisa concordar com as pessoas para agradá-las. O mais importante é você ser fiel a si mesma. Relacionamentos saudáveis têm limites, regras, e concessões de ambas as partes não apenas de um lado. Você não precisa ficar fazendo tudo para conquistar as pessoas. Agindo assim, você receberá ainda muitas ingratidões”.

- “Por que você diz isso?” Perguntou ela, sinceramente interessada.

- “Você percebe que todas as vezes que você faz tudo para agradar as pessoas, na verdade, está tentando uma forma de sedução para conquistar o afeto?” Perguntei, imaginando que ela já sabia a resposta.

Sim, amigo leitor, conquistar o afeto por meio de concessões constantes à vontade do outro pode ser uma atitude muito negativa de desrespeito contra sua própria integridade. Passar por cima da sua vontade para agradar alguém pode lhe custar a auto-estima, e sem esta, perdemos a identidade. Quem nós somos se não a pessoa que acreditamos ser? E se não acreditamos ser ninguém então não somos nada...
Seguindo por esse raciocínio, se não valemos o respeito quem vai nos respeitar?
Muita gente vai passar por cima da nossa vontade e nos desrespeitar, conseqüentemente, vamos ter muito o que perdoar. Se vivemos num mundo sem regras, como as pessoas vão nos respeitar?
Se, ao contrário, nós nos valorizamos, o mundo ao nosso redor passa a nos respeitar e não vamos precisar ficar perdoando ninguém... Você vai observar que agindo assim não será tão exigida daqui para frente... tudo depende de aprender a colocar regras nos relacionamentos.

Amélia saiu do nosso encontro se sentindo mais fortalecida, mas não sei se ela conseguirá colocar os limites necessários para não ter mais que ficar perdoando as pessoas o tempo todo.

Perdão é uma chave espiritual libertadora, mas não deve ser banalizada. Se alguém tem que perdoar o tempo todo, quer dizer que as coisas estão erradas. Está faltando limites, regras, transparência nas intenções e amor. Porque quando há amor, sinceridade e transparência não há necessidade de perdão.
Espero que minha cliente Amélia, na próxima oportunidade que se deparar com alguma daquelas situações fantasiosas, simplesmente diga em alto e bom som: “Me perdoa por não te perdoar...”

Adolecer...


Adolescer... 

 Os jovens estão na primeira página dos jornais ingleses. Todos os dias. Seja porque estão destinados a serem futuros reis e romperam um namoro com a mocinha educada para ser princesa; seja porque estão engordando as estatísticas de acidentes fatais com armas perfurantes, isto é, facas e canivetes; seja porque os professores não conseguem motivá-los a estudar; seja porque invadem escolas armados e matam dezenas de outros jovens...

Uma garota de 17 anos obrigou a família a procurar um lugar temporário para viver porque aproveitou uma viagem dos pais e colocou um convite no site My Space, chamando a "galera" para uma festa. O resultado? Em menos de seis horas, 200 jovens haviam destruído - literalmente - a casa, infernizado a rua e mobilizado sete viaturas policiais para tentar conter o "caos". Coisa de criança? Será mesmo?

Na mesma semana, o secretário de Educação da Grã-Bretanha, Alan Johnson, provocou discussões em várias frentes, ao pedir que os portais e sites na web se responsabilizassem pelos vídeos e imagens ofensivas e humilhantes de professores, postados por alunos. As imagens são capturadas pelos celulares que eles levam para as escolas, o que leva à pergunta: se eles fazem mau uso dos aparelhos, por que as escolas não confiscam ou impedem seu uso no ambiente escolar? O bullying, seja via internet, seja nos corredores reais das escolas é uma grande preocupação, assunto de Estado: 1 em cada 5 garotos de 16 anos admite ter atacado alguém com uma faca, 25% dos de garotos de 14 a 17 anos estão envolvidos com roubos, assaltos e violências "menores".
Punir? Usar técnicas modernas de motivação? As novas orientações sobre educação que o mesmo secretário Johnson apresentou na semana passada foram consideradas brandas, insuficientes... mas permitem que os professores usem decoação física contra alunos violentos. Fazer o quê?

Leio no The Guardian que os professores estão usando os blogs tanto para trocar experiências e compartilhar frustrações, quanto para tentar se comunicar de alguma forma com os alunos. Nestes relatos, uma grande dose de desânimo...nada de respostas...

Você assistiu aquele documentário excelente, Pro dia nascer Feliz? O que achou? Fiquei aterrorizada com o desencanto dos professores, com a ausência dos adultos... onde estávamos enquanto eles cresciam assim?

Quem são esses jovens? Quem somos nós diante deles? E por que não estamos, como adultos, conseguindo nos comunicar com eles?

O Lucas me manda um "Toques de Alma Teen" com dois artigos e uma tentativa de conciliação. Vinda de alguém mal-saído dessa "fase" faz a gente pensar e parece até provocação. Além de lanche, punições, discursos empoeirados e quadro-negro, quem sabe não estaria na hora de ressuscitar a poesia? Resolver, não sei se resolvia, mas chegamos num ponto onde nem sabemos direito quais são as perguntas certas, melhor mesmo deixar os poetas falarem por nós...

"Sempre achei difícil - antes, durante ou agora, sofrivelmente depois dela - sintetizar a adolescência", diz ele. "Resumir em palavras os entraves com identidade, com caminhos, vontades, novidades e mudanças (ah, as mudanças...). As mais rebuscadas não serviam, porque deixavam tudo ainda mais complicado. E as simples não davam conta de tanta enormidade emaranhada de vida batendo taquicárdica. Foi tropeçando nesse tempo, mas sempre marrento, teimoso e malcriado, que encontrei Neruda, via Gustavo Ioschpe e Octavio Paz via meu irmão. Mudanças, identidade, rostos que não se reconhecem, estrangeiro em sua própria morada. Um tempo de suspensão numa existência que segue, em poucos e intensos anos, ondeando. Os textos podem não iluminar ou tornar clarividente, mas é sempre reconfortante saber que, por mais que neguemos, algum adulto nos entende."

E aí vão as reflexões de Octavio Paz e de Gustavo Iochpe, para inspirar professores...e pais! Obrigada, Lucas, querido...

Para todos nós, em algum momento, nossa existência se revela como alguma coisa de particular, intransferível e preciosa. Quase sempre esta revelação se situa na adolescência. A descoberta de nós mesmos se manifesta como um saber que estamos sós; entre o mundo e nós surge uma impalpável, transparente muralha: a da nossa consciência.

É verdade que, mal nascemos, sentimo-nos sós; mas as crianças e os adultos podem transcender a sua solidão e esquecer-se de si mesmos por meio da brincadeira ou do trabalho. Em compensação, o adolescente, vacilante entre a infância e a juventude, fica suspenso um instante diante da infinita riqueza do mundo.

O adolescente se assombra com o ser. E ao pasmo segue-se a reflexão: inclinado para o rio de sua consciência pergunta-se se este rosto que aflora lentamente das profundezas, deformado pela água, é o seu. A singularidade de ser - mera sensação na criança - transforma-se em problema e pergunta, em consciência inquisidora.


De Octavio Paz, abrindo O Labirinto da Solidão e Post Scriptum

Cada vez que vejo os meus, fico com a impressão de que deve ser muito difícil essa história de ser pai. Não pela parte de ter de amamentar, trocar fraldas, botar pra ninar ou ter de levar a filmes dos Trapalhões. Isso, qualquer um com um pouco de paciência consegue. O difícil deve ser pai de adolescente, aquela fase em que o guri muda mais do que técnico de time perdedor, e os pais permanecem fiéis que nem puxa-saco de emergente. A gente gosta de reclamar dos pais, dizer que eles não nos entendem, que não se lembram que eles também já foram jovens algum dia (eles foram?), que nos cortam os baratos, etcétera e tal, mas raramente tentamos nos colocar na posição deles.

Imagine você ter passado 10, 15 anos acompanhando todos os passos, respiros e espirros de uma pessoa. Determinar como ela deve se vestir, o que deve comer, onde vai estudar, onde vai passar as férias... Sem falar nos pais que determinam o que pode ver na TV, quando tem de fazer dever de casa, qual a periodicidade do corte das unhas e por aí afora. De repente, aquele ser protegido, dependente e atônito frente aos mistérios do mundo passa a descobrir as coisas por si só, e não só preza a liberdade conquistada como rejeita veementemente qualquer intervenção paterna.

Ser adolescente é ser livre até o ponto da rebelião, da anarquia. É uma experiência embriagante que, de resto, também proporciona a mesma ressaca que todos os bons tragos proporcionam. Mas é da vida. O angustiante deve ser ter de acompanhar de camarote, sem poder fazer nada (além de um ocasional "leva um casaquinho que tá frio" que de vez em quando escapa), e carregando no peito todo aquele amor incondicional.

Aí rolam aqueles conflitos brabos entre pais e filhos, onde parece que um está falando em cirílico e o outro em sânscrito. A impressão é que ninguém se entende. Sei não, mas acho que os pais entendem direitinho a cabeça dos rebentos, porque já passaram por isso. Mas é aquela fase típica do pós-choque: o "denial", a negação. Os pais tentam reagir à independência filial impondo as mesmas regras de antes, como se nada houvesse mudado e o fedelho de boné virado e barba malfeita pedindo verba para uma cervejada fosse o mesmo piá de roupa de marinheiro chorando por um doce ou gole de Coca. Não é fácil lidar com a mudança. No fundo, os pais sabem que é uma batalha perdida: o mundo real, mesmo com (e até por) todos os seus mistérios e perigos, é lugar bem mais atraente que a barra da saia da mãe (exceção honrosa sempre feita aos filhos da Luiza Brunet). Um dia, os filhos vão. Deve causar uma estupefação e tanto ver um filho com ideais e idéias diferentes não raro antagônicas às dos pais.

É preciso, assim, certa compreensão por parte dos filhos. Essa é mais complicada ainda. No fundo, não conhecemos tanto nossos pais. Não estivemos junto com eles a maioria da vida deles, e leva um bocado de tempo para conseguirmos amadurecer e perceber alguns de seus defeitos e fraquezas. Não acho que briguemos com os pais que temos, mas com a idealização que deles fazemos. Se soubéssemos de antemão todas as causas das neuroses paternas, acho que não daríamos tanto murro em ponta de faca. Mas o distanciamento é natural, e acho que até necessário para que se respire um ar puro. Nas relações sadias, o reencontro não demora. E, naquelas em que demora ou não acontece, é sinal de que muito andava errado bem antes.

Mas isso a gente só se dá conta quando dá um passo pra trás e tenta olhar a coisa com calma, longe do dia-a-dia. E, dando essa olhada, fiquei surpreso não com os meus pais, mas comigo mesmo: não sei de onde é que se muda tanto.

Sorte que o espanto parece ser universal. Ou, o que vale a mesma coisa, pelo menos (com)provado por um grande poeta, como descreveu bem Neruda nos versos:

"y de repente apareció en mi rostro
un rostro de extanjero
y era también yo mismo:
era yo que crecía,
eras tu que crecías,
era todo
y cambiamos
y nunca más supimos quiénes éramos,
y a veces recordamos
al que vivió en nosotros
y le pedimos algo tal vez que nos recuerde,
que sepa por lo menos que fuimos él,
que hablamos
con su lengua,
pero desde las horas consumidas
aquél nos mira y no nos reconoce.

Sofrimento...


Sofrimento 

 Ninguém, absolutamente ninguém, consegue evoluir sem experimentar o sofrimento. A diferença fundamental em tudo isso é como passamos por ele.
Mas o que significa evoluir?

Significa irmos de encontro com a nossa LUZ interna. Sabermos nossos limites nesta encarnação e efetivamente o que estamos fazendo neste planeta. Não dependermos de ninguém para começarmos a entender a suprema força que existe em nosso interior. Sermos nós, na intensidade de nosso ser. Isso é evoluir.

Alguns conseguem se superar e assim ganharem experiência com o problema que acabaram de dominar. São as pessoas que meditam, entendem que a vida é uma roda sem fim e que nós sempre retornamos ao ponto que projetamos em nossa mente. Nada, nem uma gota de orvalho, acontece por acaso. O Universo é sábio e supremo. Tudo, do macro ao microcosmo esta conectado. Somos produto disso, desta conexão maravilhosa.
Outros que experimentam o sofrimento, precisam da piedade alheia e gostam de se sentir doentes tanto na forma física como mentalmente. Precisam ser ‘coitadinhos’. Querem afago. Assim demonstram a sua pouca evolução. E, interessantemente, encontramos pessoas neste estágio em todos os signos.

Tudo tem uma explicação, há uma razão. Mas como enxergar isso? Primeiro é preciso entender, aceitar e dominar a emoção que vem junto com o problema. Nós criamos o problema. A lei de Causa e Efeito é suprema. Tão forte como a Lei da Gravidade.
Somos emissores de freqüências múltiplas e cabe a nós, somente a nós, a mudança destas freqüências.
A pior delas é o ódio, depois vem o rancor e subindo na escala chegamos à mágoa, para depois experimentarmos o estágio de sentimentos de dó, pena, amizade, paixão e finalmente o amor.

Na realidade poderíamos resumir em dois tipos de freqüências, a ruim e a boa. Mas isso é muito pouco para quem precisa experimentar mudanças em nosso fluxo de conquistas diárias. É fundamental deixar a freqüência negativa pequena, realmente em pequeníssima escala para que se possa experimentar a evolução.

Depois precisamos separar as nossas crenças religiosas e olharmos para nosso interior e assim começarmos a entender a poderosa força que somos, que temos e desfrutarmos dela. Só então entenderemos que quem determina o nível de freqüência que iremos viver somos nós.

Não é Deus, o papa, o bispo, o pastor ou qualquer líder religioso que consegue abrandar os nossos sofrimentos. Quem faz isso é a nossa mente, nossas atitudes, nós, portanto. Se ela, a mente, aceitar uma verdade, pronto, ela passa a fazer parte de nossas crenças.

Somos mais fortes do que imaginamos. Somos mais potentes do que possamos avaliar e nada, absolutamente nada é mais forte do que a nossa mente.
Recentemente fiquei surpreso quando li o resultado de uma pesquisa... Nossa mente produz mais de 60.000 pensamentos por dia. Imaginem se eles fossem direcionados para o nosso bem!

Não creia só naqueles que te querem preso aos seus conceitos. Você é muito mais forte do que imagina. Medite, pense, projete seus pensamentos a seu favor e irá sentir a diferença.
Algo vai mal? Ótimo. É hora de mudar. O sofrimento é só um aviso de que você pode mais do que imagina.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

" A MENINA QUE BRILHA "

" A MENINA QUE BRILHA"
Peça Teatral dirigida por: Leandro Galor
Estréia dia 05/05 no Teatro Augusta, Rua Augusta 943
Sábados e Domingos às 16 hs.
Preços: R$ 20,00  e R$ 10,00 
Elenco: CAROL MAFRA, CAL TITANERO, JÔ DE SOUZA, DANIELLE SCAVONE, ÉRICA CORREIA, STELLA E GABRIELA PORTIERI, LILIAN BORGES, MAURICIO SPINA, RICARDO ACIOLE E THALES CRISTOVÃO.


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terça-feira, 24 de abril de 2012

Encontro...


Encontro 

Provavelmente, o maior desafio que nos temos que passar é descobrirmos o que efetivamente somos e o que estamos fazendo aqui neste planeta.
Aqui no Brasil, por várias razões que não cabe aqui discutirmos, quando nos damos conta já pertencemos a uma religião. Ela vem em tradição familiar e somos forçados a crer naquilo que nossos pais acham que é o melhor para nós. Assim foi com os pais deles e nada mais é do que um processo hierárquico familiar.

Somos produto do meio em que vivemos. Da família que escolhemos para nascer. Da sociedade que freqüentamos. Da religião que nos impingiram ou escolhemos. De nossas amizades e relações.
A união destes conceitos e hábitos tem como produto a nossa vida. E quanto nos sentimos desconfortáveis é porque estamos desalinhados com o nosso projeto de vida.
É fundamental, portanto, nos encontrarmos em meio a tudo isso. Logo em seguida precisamos estar preparados para as dificuldades que teremos que enfrentar. Ninguém se encontra sem muito pensar, meditar e descobrir o que não gosta.

Quando isso acontece - o encontro - e nos não o aceitamos, iniciamos um processo de dor interna que, antes de ser física, é emocional e mental.
Aqui começam as doenças. Em nossas contrariedades, nossas dificuldades e em como administramos estas dificuldades.
Jamais administrar e sim solucionar. As dificuldades chegam até nós para nos testar e descobrirmos o que fazemos com elas.
Alguns entram em depressão, outros, os mais destemidos, evoluídos, resolvem e se encontram consigo mesmos, cada dia mais.
Logo após vencermos as dificuldades que a nossa evolução nos impõe, começamos a dar vazão aos nossos reais sentimentos, a equilibrarmos os nossos chakras, a vermos o invisível, a entendermos o inexplicável, e desta forma decodificar os sinais que a Natureza nos oferece gratuitamente.
Raramente o encontro é sem dor porque, para que ele aconteça, precisamos, necessariamente, sair de nossa zona de conforto. Querermos sair de nosso conformismo.

Sem razão... com o coração...


Sem razão... com o coração... 

Uma vez me vi diante de uma escolha entre ir ou não a um determinado trabalho de autoconhecimento... que a razão enfeitava com muitas nuances coloridas, fazendo parecer imperdível. 
Mas eu não senti vontade... e não fui...
Depois entendi o porquê... e fiquei feliz de ter seguido o coração... É que outras coisas me chegaram do Grande Mistério, do silêncio e do estar sozinho, que foram muito importantes em minha história... 
Não que o trabalho não fosse bom, mas o que não era bom era a combinação do meu momento com aquele trabalho... o Universo tinha planos mais perfeitos que eu só poderia perceber... e receber com o coração...

O que acontece é que quando seguimos a razão ditada pelo ego e deixamos de seguir o coração, perdemos momentos preciosos que trazem muito mais do que o ego sequer possa imaginar... porque foge aos seus domínios.

Existe sempre uma combinação perfeita que vem da energia dos momentos e do nosso encontro, por inteiro, com eles... que faz com que eles durem para sempre...

Saber escutar o coração... aprendendo a ter cada vez mais intimidade com esse ritmo, faz com que estejamos sempre em perfeita sintonia com o Grande Mistério... a Fonte que nos abastece de tudo que é precioso... e que nem sempre cabe dentro da nossa imaginação

Aprendemos a escolher o que vamos fazer, baseados quase sempre na razão, sem levar em conta a nossa intuição e o sentimento que temos a respeito das coisas...
Ou então a usar a intuição e o sentir, em coisas de menor importância... decidindo as consideradas mais sérias só com a razão, pesando daqui, raciocinando dali... deixando o coração meio de lado nessas horas....

Já vi muita gente que adora falar de intuição e de seguir o coração, que em horas em que pensam que a coisa é séria esquecem o coração e pesam tudo só com o lado racional..

Pra mim o coração é um radar perfeito que nos leva a fugir das artimanhas do ego... 
Nos domínios do ego estão os medos... nos domínios do coração está o Amor.

Parece que não temos mais muito tempo a perder com caminhos, já tão antigos e visitados, que nos fazem dar voltas e voltas em torno dos mesmos padrões...
A nossa Alma indica uma urgência em desenvolver cada vez mais esse contato precioso com o coração... aprendendo a escutar essa linguagem silenciosa.

Os silêncios e os vazios, que tanto preenchem a Alma, sempre estão nos caminhos do coração... assim como bênçãos e alegrias inesperadas... 
Mistérios, que são revelados aos poucos, encantam esses caminhos e fazem com que uma sede por fidelidade à Alma... nos chame cada vez mais profundamente para eles...

E eles nos revelam o inusitado que só pode acontecer onde a razão ainda não estabeleceu seus domínios... Nos territórios onde os sonhos ainda estão no útero da Criação...